A opção de ficar no campo tirando o sustento da agricultura e da agropecuária tem ajudado a evitar o êxodo rural. A vida simples, por vezes humilde, tem garantido a qualidade de vida de muitas pessoas, que escolhem o meio rural como seu espaço de vida e de trabalho. Apesar do grande êxodo rural registrado nas últimas décadas, o município de Taquaruçu do Sul, tem conseguido manter presente a ideia de que é possível ter renda e qualidade de vida no campo.
A propriedade de Oscar e Luci Manfio tem demonstrado ser exemplo graças ao esforço e dedicação próprios, e com o apoio forte e fundamental da assistência técnica de extensão rural constituída no município que leva a tecnologia ao campo. O programa de rádio que compõe equipe realizando o LA NO CAMPO, realizou no mês de maio uma visita na propriedade Manfio.
Essa propriedade, assim como muitas outras existentes no município de Taquaruçu do Sul, é considerada exemplo de trabalho e organização na região, que continua buscando alternativas de renda e melhoria nas atividades que são desenvolvidas na comunidade, auxiliando para a continuidade da Reprodução Social.
Os dados de último Censo Agropecuário (2010) tem demonstrado um aumento da população de Taquaruçu do Sul (em 4,2% comparado ao ano de 2007) que hoje conta com 61 % da população residindo e trabalhando no campo. Parece pouco expressivo, porém esse número representa um avanço no desenvolvimento local, sendo reflexo das políticas públicas, organização dos próprios agricultores em associações e cooperativas, e participação da população constituindo uma sociedade cívica consolidada.
Atualmente, não é possível pensar em desenvolvimento da agricultura com as mesmas técnicas utilizadas por nossos antepassados, que mesmo tendo funcionado no passado são consideradas rudimentares. É preciso articular o trabalho à tecnologia, que antes o acesso era privilégio de poucos, e hoje a realidade é outra. A tecnologia a que se refere, não está representada pelas máquinas e equipamentos industriais que venham auxiliar o trabalho do campo, como extensão da mão, mas a um conjunto de conhecimentos, especialmente científicos, que aplicadas a uma determinada atividade, tem o objetivo de transformá-la. Essa tecnologia é entendida como necessária ao desenvolvimento rural.
Portanto, desenvolvimento rural não pode ser entendido como modernização da agricultura, nem industrialização ou urbanização do campo. O desenvolvimento está associado à ideia de criação de capacidades (humanas, políticas, culturais, técnica, entre outras) que permitam às populações rurais agirem para transformar e melhorar suas condições de vida, através de mudanças em suas relações com as esferas de Estado, do mercado e da sociedade civil. Para tanto, é indispensável que essas populações ampliem seu acesso a recursos materiais e simbólicos (terra, crédito, conhecimento e informações, organizações, etc) a bens e serviços (públicos e privados) e a oportunidades (emprego, geração de renda, saúde, educação, etc), originadas principalmente nas políticas públicas, mas também em mercados.
Essas ampliações de capacidades da população cria condições para que elas possam precaver-se contra o aumento de riscos sociais, ambientais e econômicos, em outros termos, ampliação da resiliência total do indivíduo.
Diante disso, fica um convite a toda a comunidade de Taquaruçu do Sul, especialmente os agricultores, a buscar cada vez mais a possibilidade de crescer e aprender o que precisa ser aprendido para inovar e ensinar também o que precisa ser ensinado, para juntos promover a continuidade do desenvolvimento do município de Taquaruçu do Sul, tendo presente fatores essenciais como a capacidade de confiança mútua, cooperação, solidariedade, participação cívica democrática e reciprocidade.
A propriedade de Oscar Manfio tem sido exemplo, mas muitos outros podem também ser ressaltados, e outros ainda buscar junto aos órgãos públicos e profissionais a possiblidade de melhoria da sua realidade.
A exemplo de comunidades participativas, para refletir, segue trecho da parábola de David Hume (Tratado da Natureza Humana), que trata do Capital Social:
“Teu milho está maduro hoje, o meu estará amanhã. É vantajoso para nós dois que eu te ajude a colhê-lo hoje e que tu me ajudes amanhã. Não tenho amizade por ti e sei que também não tens por mim. Portanto, não farei nenhum esforço em teu favor, e sei que se eu te ajudar, esperando alguma retribuição, certamente me decepcionarei, pois não poderei contar com sua gratidão. Então, deixo de ajudar-te, e tu me pagas na mesma moeda. As estações mudam, e nós dois perdemos nossa colheita por falta de confiança mútua.”